terça-feira, 9 de dezembro de 2008

AUDAX






"Irmão, vamos fazer o Audax?" - Dá não, Ju. Estou totalmente sem condições e fazer duzentinhos sem treinar é suicídio - "A gente treina junto, ué" - Ah, nem sei, do jeito que to enferrujado não dá tempo - "Pôxa, ia ser legal se você fosse." - É, também queria ir, mas não vai dar - . Segundo ano de Audax em Brasilia e eu novamente não iria participar. Fazer este desafio era sonho antigo, mas infelizmente não iria...
Aos que não conhecem, explico: Audax é um evento de resistencia, onde os participantes devem fazer um determinado percurso (no Brasil a distancia inicial é de 200 kms) dentro de um tempo-limite. Leia mais em www.audaxbrasil.com.br
Passaram-se os dias e novamente o telefone toca. "Irmão, vou pedalar uns 100 quilometros domingo, bora?" - Bora -. Faltavam duas semanas para o Audax, e eu pensei que, caso fizesse bem este treino e o terminasse inteiro, poderia alimentar uma leve possibilidade de inscrever-me no desafio. Doce engano! Pedalamos uns 70 kms e o cansaço tomou conta; para concluir o ultimos quilometros foi um verdadeiro tormento. Chegamos, estava muito cansado e falei pra minha irmã: - Hoje tive certeza que não terei a mínima condição de fazer o Audax, se "quebrei" aos 70 quilometros, imagine 200. Vai você que está pedalando super-bem. - . E foi chegando o dia do Audax... entretanto, faltando três dias para o evento o telefone (novamente) toca; já sabem quem era? "Irmão, o Denis não vai mais, ele disse que se você quiser, ele te passa a inscrição". - Ai ai ai.. e agora? Então eu vou pelo menos tentar, se não conseguir paro no posto de controle dos 100 quilometros. - "Então vamos, vou avisar ao Denis". Nos dois dias que se passaram foi uma correria: Bike pra revisão, suprimentos, equipamentos, e outros detalhes mais.
Chega o dia; após uma péssima noite de sono (estava tão agitado e com tanto medo de não dar conta que não consegui dormir) levantamos às 04:00 da manhã para terminar de arrumar os últimos detalhes e nos dirigirmos ao ponto zero. 06:00 - É dada a largada. fizemos os 50 primeiros quilometros muito bem, mantivemos uma boa média horária e saiu tudo como previsto. Nos 50 quilometros seguintes, começaram os problemas: faltando aproximadamente 4 quilometros para a chegada do posto de controle pc2 (100 kms ) após muitas subidas e descidas, a corrente da minha bicicleta quebra, coisa que nunca havia acontecido. No Audax não podemos ter ajuda externa, só dos demais participantes, mas nenhum dos que passaram ali naquele momento não sabiam como consertar. Falo pra Ju continuar, uma tristeza me domina, achava que havia acabado ali, empurro a bike para um local seguro, pois estava no meio de uma subida sem acostamento, e com a chave de corrente consigo remenda-la. É nessas horas que realmente conseguimos nos superar. Aviso pelo rádio para a minha irmã que estava a caminho do pc 2. Ao chegar, minha irmã já havia providenciado minha comida e os demais colegas cuidaram dos meus suprimentos na enquanto almoçava.
Os problemas estavam apenas começando: Iriamos fazer o trecho mais difícil do percurso em decorrencia das subidas; haviamos perdido muito tempo com a quebra da corrente e o tempo estava fechando rapidamente. Voltamos a pedalar, mas assim que começamos cai uma chuva torrencial; a força era tanta que as gotas doíam quando batiam no nosso corpo. Diminuímos o ritmo, mas continuamos; estávamos bastante atrasados para concluir o percurso dentro do tempo-limite; entretanto, para nossa felicidade, a chuva passou logo. Melhoramos o ritmo, e comecei a vislumbrar a possibilidade de concluir o percurso. Mas a bonança durou pouco tempo, e novamente me deparei com outro problema que durante todos os anos de pedal nunca havia sentido: caimbras. Senti, e senti com muita intensidade. Paramos por ums instantes, tomei um relaxante muscular, alimentamos e a dor diminuiu; voltamos a pedalar e conseguimos, com muito esforço chegar ao pc 3 (150kms). Estava muito cansado e com as pernas doendo muito, então sugeri à Ju que não ficássemos muito tempo parados, pois se nossos corpos esfriassem, provavelmente não conseguiríamos continuar. Ultimos 50 kms! Aquilo era o que me motivava a continuar pois as dores eram intensas; não podia forçar para evitar novas caimbras e também não podia ir muito devagar para não ultrapassar o tempo-limite. Nessas horas é que vemos o quanto é importante alguem junto ao teu lado. Minha irmã sempre me deu força, foi super-guerreira; àquela altura não tinha como eu desistir e abandona-la para que ela seguisse sozinha, até porque só estava ali por esforço dela, em todos os sentidos. Apesar do corpo dizer "não" a vontade de concluir falou mais alto. Continuei. O pior já havia passado, já estavamos a poucos quilometros da chegada àquela altura o percurso era relativamente plano. Melhoramos o ritmo e seguimos em frente.
Chegada - Ao entrarmos no portão que dava acesso ao pc 4 (chegada, 207 kms), o Edu da organização gritou ao microfone "A JU E O KLEBER, OLHA OS IRMÃOS AÍ". Difícil descrever! Alegria total, superação de desafios, sensação de conquista, realmente emocionante. Para a festa ficar completa, meus pais e a Geka foram nos receber na chegada! Sem palavras!

2 comentários:

N. Calimeris disse...

Ducaralho!!!!

disse...

Parabéns! Fiquei feliz por você ter conseguido! Fiquei na torcida daqui de casa ;)